Resiliência, enfrentamento e qualidade de vida na reabilitação de indivíduos com lesão medular
Compartilhe
Estudos mostram que pessoas mais
resilientes apresentam estratégias de enfrentamento que reduzem o estresse, em
condições adversas e, consequentemente, podem ter uma melhor percepção da
qualidade de vida.
O presente estudo teve como objetivo
investigar resiliência, qualidade de vida e estratégias de enfrentamento em
pessoas com lesão medular, com intuito de identificar recursos promotores de
saúde que possam subsidiar práticas em reabilitação.
É neste contexto que a pesquisa
realizada torna-se relevante para profissionais que trabalham em reabilitação,
pessoas com lesão medular e seus familiares.
Participaram da investigação 52
indivíduos, com escolaridade equivalente ou superior ao ensino médio, média de
30 anos de idade (DP = 6,6), homens (n = 36; 69%) e mulheres (n = 16; 31%), com
lesão medular traumática há, no mínimo, um ano (M = 4 anos; DP = 2,9), com
diagnósticos de paraplegia (n = 31; 60%) e tetraplegia (n = 21; 40%), sendo que
a etiologia de maior prevalência foi trauma veicular (n = 35; 67%).
Características da lesão medular e
medidas de independência funcional foram obtidas do prontuário médico dos
participantes. Foi realizada entrevista semiestruturada e aplicados os
seguintes instrumentos: Questionário Genérico de Qualidade de Vida (SF-36),
Escala de Resiliência Wagnild e Young, Inventário de Resiliência (IR) e Escala
Modos de Enfrentamento de Problemas (EMEP).Os dados da entrevista foram
submetidos à análise de conteúdo temático e realizou-se estatística descritiva
e inferencial dos dados quantitativos.
Os resultados mostraram que
focalização no problema (M = 3,96) foi a estratégia de enfrentamento mais
utilizada, enquanto a focalização na emoção obteve a menor média (M = 1,92) de
utilização. De acordo com a Escala de Resiliência, a maioria (92%) dos
participantes foi avaliada mais resiliente.
Todos os participantes,
acentuadamente aqueles com maior tempo de lesão medular, apresentaram
características de resiliência compatíveis com o fator satisfação no trabalho
(IR), e 98,1% (n = 51) compatibilizaram-se com o fator sensibilidade emocional
(IR). A análise de regressão indicou que inovação e tenacidade (IR) parecem
prevalecer entre aqueles com paraplegia (p < 0,05).
A qualidade de vida (SF-36)
revelou-se mais comprometida nos domínios físicos: capacidade funcional (M =
33,3) e aspectos físicos (M = 51,4). O domínio de qualidade de vida capacidade
funcional correlacionou-se (p < 0,01) positivamente com fatores de
resiliência e saúde mental: Vitalidade (rho = 0,51), Escala de Resiliência (rho
= 0,49), Saúde Mental (rho = 0,40), Tenacidade e Inovação (rho = 0,37),
destacando-se a relevância da abordagem de aspectos psicossociais na
reabilitação.
As entrevistas indicaram as seguintes
modalidades de enfrentamento promotoras de resiliência: acesso à informação,
percepção positiva da capacidade de replanejar e conduzir a própria vida,
habilidades sociais, independência e autoestima.
Esses resultados revelaram alguns
fatores individuais de proteção como essenciais à adaptação após a ocorrência
de uma lesão medular. Práticas em reabilitação seriam aprimoradas através da
adoção de condutas terapêuticas que pudessem favorecer o desenvolvimento desses
recursos protetores.
Sugere-se que pesquisas futuras
investiguem resiliência, enfrentamento, qualidade de vida e nível de
independência funcional também em pessoas com escolaridade mais baixa.
Ressalta-se que a reabilitação de pessoas com lesão medular é potencialmente
mais efetiva a partir de intervenções em equipes multiprofissionais, que
incluam também aspectos biopsicossociais.
Fonte: Unb
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Seu Comentário é muito importante para nós.