Dia 27 de junho é o dia da conscientização sobre a surdocegueira, um tipo de deficiência pouco divulgada, porém, mais comum do que se imagina. É considerada uma deficiência múltipla: visual e auditiva. Uma pessoa surdocega, portanto, é ao mesmo tempo cega e surda, não enxerga e não ouve. Nessa reportagem, a jornalista Raquel Paoliello entrevista Andrey Marcondes, profissional de Design e pessoa com surdo-cegueira, para desmistificar preconceitos e discriminações.
A surdocegueira é uma deficiência única, que associa a carência de dois canais sensoriais: a visão e a audição.
A surdocegueira é uma deficiência única, que associa a carência de dois canais sensoriais: a visão e a audição. Em graus diferentes, a combinação dessas duas carências causa extrema dificuldade nas relações educacionais, vocacionais, de lazer e sociais do indivíduo. Para discutir o assunto, as especialistas em Educação Especial Rita de Cássia Silveira Cambruzzi e Maria da Piedade Resende da Costa lançam, pela EdUFSCar, Surdocegueira: níveis e formas de comunicação.
O intuito é mostrar que cada ser humano precisa ser visto como único, com potencialidades a serem desenvolvidas e dificuldades a serem superadas ao longo do percurso de sua vida. Ao longo de 10 capítulos, as autoras apresentam as diferentes e inúmeras possibilidades de comunicação para uma pessoa com surdocegueira. Traçam um panorama histórico da educação das pessoas com surdocegueira, resgatando os serviços oferecidos a esse público; discutem questões perceptuais que envolvem a visão e a audição para a comunicação; dialogam com outros autores para fundamentar conceitos referentes à comunicação; e aprofundam a questão da comunicação não verbal e sua importância para a pessoa com surdocegueira. Aqui, três enfoques são destacados: os níveis, as formas e a funcionalidade da expressão não verbal, e as peculiaridades da surdocegueira adquirida e congênita.
A obra também aborda a comunicação receptiva, ou seja, como a pessoa recebe a mensagem do mundo externo e interage, bem como a comunicação expressiva, ou seja, o desenvolvimento da comunicação e da linguagem, e seus níveis: reconhecimento, contingente, instrumental, convencional, simbólica emergente e simbólica. Os métodos alternativos e os protocolos envolvidos nos níveis de competência comunicativa e nas formas não simbólicas também são discutidos.
De escrita dinâmica, com leitura fluida e prazerosa, Surdocegueira constitui-se em instrumento para profissionais e familiares que poderão colaborar para sanar as dificuldades ocasionadas pela falta desses sentidos por meio de ações interventivas consistentes e significativas. Utiliza para isso uma didática elucidativa e de fácil compreensão, elencando, detalhando e exemplificando as alternativas de comunicação, bem como as orientações quanto ao uso adequado de cada símbolo ou sinal.
Sobre as autoras - Rita de Cássia Silveira Cambruzzi possui bacharelado e licenciatura em Psicologia pela atual Universidade Metodista de São Paulo. É especialista em Formação de Educadores de Pessoas com Deficiências pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e tem formação complementar em Terapia Familiar Sistêmica. Concluiu o mestrado e o doutorado em Educação Especial pela Universidade Federal de São Carlos.
Maria da Piedade Resende da Costa possui formação em Psicologia pela Universidade Católica de Pernambuco, graduação em Pedagogia pela mesma universidade, mestrado em Educação Especial pela Universidade Federal de São Carlos e doutorado em Psicologia pela Universidade de São Paulo.
Título: Surdocegueira: níveis e formas de comunicação
Autoras: Rita de Cássia Silveira Cambruzzi e Maria da Piedade Resende da Costa
Número de páginas: 139
Formato: 14 x 21 cm
Preço: R$ 29,00
ISBN: 978-85-7600-443-1
Mais informações sobre os livros da EdUFSCar estão disponíveis no site www.editora.ufscar.br
No dia 27 de junho, é comemorado o Dia internacional das pessoas surdocegas. A data foi escolhida por marcar o nascimento da escritora norte-americana Hellen Keller, primeira pessoa surdocega a conquistar um bacharelado no início do século XX.
No Brasil, uma das referências na luta pelos direitos das pessoas surdocegas é Claudia Sofia. Na presidência da Associação Brasileira de Surdocegos (ABRASC), Claudia endossa um movimento para garantir a esse público o acesso ao currículo, com qualidade, nas redes de ensino públicas e particulares. “Para atingir esse objetivo, temos formado instrutores-mediadores para acompanhar os estudantes com surdocegueira congênita e guias-intérpretes para os com surdocegueira adquirida, na sala de aula e fora dela, dependendo da necessidade”, conta.
A presidente da ABRASC é surdocega desde os 17 anos e, para se comunicar, usa o Tadoma. Nessa técnica, ela coloca a mão próxima à boca da pessoa com quem fala. Além deste método, ela também se comunica pelo alfabeto manual tátil, pela Língua brasileira de sinais (Libras) tátil e pelo braille.
Para ela, os desafios para a inclusão dos surdocegos na escola regular são muitos, mas cada vez mais as portas têm sido abertas. “Precisamos reconhecer e celebrar as conquistas e vitórias. Atualmente, há muitas crianças e adolescentes surdocegos nas escolas, jovens no ensino médio e nas universidades. Temos vários pedagogos, fisioterapeutas e outros profissionais formados”
Para Claudia, a luta é para que a sociedade reconheça as pessoas surdocegas enquanto sujeitos de direitos. “Nós somos capazes. Capazes de aprender, de estar no mundo, de sonhar. Queremos ser reconhecidos e incluídos. Essa é a nossa luta.”
Estima-se que haja 1.200 pessoas surdocegas no Brasil. A perda da audição e da visão podem ser causadas por diversos fatores, entre eles a Síndrome de Usher (USH), uma doença hereditária da Retina que também leva à perda auditiva. A pessoa com deficiência visual e auditiva enfrenta desafios cotidianos, sendo essencial efetivar sua inclusão. A comunicação coloca-se como uma barreira que precisa ser superada. Por isso dar luz ao Dia Internacional da Pessoa Surdocega é tão importante.
Hellen Adams Keller (1880 – 1968) é ícone para o movimento da surdocegueira. Ela desenvolveu inúmeros trabalhos em favor das pessoas com deficiência, imprimindo força, consciência e voz às pessoas surdocegas. Como pensadora ela deixou um legado para toda a sociedade, sendo um exemplo de determinação e garra. Assim, parece agradável relembrar algumas de suas frases:
“O resultado mais sublime da educação é a tolerância.”
“A experiência humana não seria tão rica e gratificante se não existissem obstáculos a superar. O cume ensolarado de uma montanha não seria tão maravilhoso se não existissem vales sombrios a atravessar””
“As melhores e as mais lindas coisas do mundo não se podem ver nem tocar. Elas devem ser sentidas com o coração.”
“Nunca se pode concordar em rastejar, quando se sente ímpeto de voar.”
Algumas Instituições de Referência de Surdocegueira
Hoje em dia, nos quatro cantos do mundo, vêm sendo desenvolvidos programas de atendimento ao surdocego e de apoio aos seus familiares:
Na Espanha, a “Unidad Educativa para Niños Sordociegos” da ONCE;
Em Portugal, o “Instituto Jacob R. Pereira”;
Na França, o “Centre d'Éducation Specialisée pour Sourds-Aveugles”;
Na Itália, a “Lega del Filo d'Oro”;
Na Dinamarca, o “Nordic Staff Training Center for the Deaf-Blind Services”;
Na Rússia, o Lar “Zagorsk” para a Criança Surdocega;
Na Alemanha, o “Deutsches Taubblindenwerk”;
Na Inglaterra, a “Carnbooth School”;
Na Finlândia, a "Associação Finlandesa de Surdocegos";
Nos Estados Unidos, o “Helen Keller National Center for Deaf-Blind Youths and Adults”;
No Brasil:
“Instituto Benjamin Constant”
Localizado no Rio de Janeiro, através do Programa de Atendimento e Apoio ao Surdocego - PAS.
ADEFAV - Associação para Deficientes da Áudio-Visão
A Associação oferece serviços aos surdocegos como cursos de orientação e mobilidade, braille e LIBRAS, além de atendimento psicológico, fonoaudiológico e fisioterapêutico.
AHIMSA - Associação Educacional para Múltipla Deficiência
A AHIMSA realiza atendimento educacional para crianças, jovens e adultos com deficiência múltipla sensorial e surdocegueira, visando a sua inclusão na sociedade, oferecendo qualidade de vida a essas pessoas.
AGAPASM - Associação Gaúcha de Pais e Amigos dos Surdocegos e Multideficientes
Procura desenvolver ações em parceria com Instituições que possam contribuir para o fortalecimento da sua Missão, valorizando atitudes de cooperação.
AABRASC - Associação Brasileira de Surdocegos
abrascsofia@hotmail.com
A ABRASC não possui um site, mas pode ser contatada através do e-mail acima.
Grupo Brasil de Apoio ao Surdocego e ao Múltiplo Deficiente Sensorial
O Grupo Brasil é uma ONG criada em 1997 para unir as entidades que atendem pessoas com surdo cegueira. Em seu site, é possível consultar as instituições filiadas em cada região do país, conhecer as ações realizadas por elas, as publicações da organização e suas campanhas.
Estas são algumas das organizações que têm propiciado ao surdocego diferentes oportunidades para reverter o processo de exclusão social a que estão submetidas essas pessoas.
Imagem: foto do evento, em cima do palco a gestora de Língua Brasileira de Sinais - Libras, da SEDPcD-SP, Silvia Sabanovaite palestra em Libras
Nesta quinta-feira (23), a Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência recebeu, a palestra “SurdoCegueira: Uma condição Única”, realizada pelo Grupo Brasil e Associação Educacional para Múltipla Deficiência (AHIMSA).
O evento, que reuniu cerca de 100 pessoas, abordou a importância do profissional guia-interprete para auxiliar na comunicação de pessoas com surdocegueira. Diferente do interprete de Libras, o guia-interprete domina diversas formas de comunicação utilizadas por essas pessoas.
Para o palestrante Carlos Alberto Junior, surdocego, o guia-interprete foi um canal de libertação a ele, pois por meio do profissional, ele teve a certeza de que é capaz de fazer tudo, só precisava de uma explicação primeiro.
Além disso, os palestrantes debateram sobre as pessoas com deficiência múltipla sensorial e os seus desafios, e ressaltaram a importância de transmitir informações sobre o tema, bem como formar cada vez mais profissionais que atendam essas pessoas.
Surdocegueira
A surdocegueira é uma deficiência singular que apresenta perdas auditivas e visuais em diferentes graus, levando a pessoa surdocega a desenvolver diferentes formas de comunicação para entender e interagir com a sociedade.
A Comissão de Defesa dos
Direitos da Pessoa com Deficiência aprovou nesta quarta-feira (14) o Projeto de Lei nº 2260/2019, de autoria do deputado federal Eduardo Barbosa, que institui
o Dia Nacional da Pessoa com Surdocegueira, a ser comemorado no dia 12 de
novembro de cada ano.
A Surdocegueira é
caracterizada pela perda da audição e da visão, concomitantemente, sendo
parcial ou total. Dependendo do nível de comprometimento dos sentidos afetados,
o contato da pessoa com o mundo exterior e com a sociedade pode ser bastante
restrito, sendo necessário o desenvolvimento de diferentes maneiras de
comunicação e interação. Estima-se que no Brasil existam cerca de 40 mil
pessoas com surdocegueira.
“É muito importante
fortalecer segmentos que não têm visibilidade na sociedade e as datas
comemorativas existem principalmente para isso. O surdocego ficou, por séculos,
invisível diante da sociedade, sendo caracterizado como uma pessoa totalmente
incapaz, e o dia comemorativo já é um indicativo de que nós podemos, através
dessa data, fazer mudanças no seio da comunidade e do governo no sentido de dar
mais qualidade de vida à essas pessoas”, afirmou o deputado no momento da
aprovação da proposta.
Os objetivos do Dia
Nacional da Pessoa com Surdocegueira são: estimular ações educativas visando à
prevenção da rubéola durante a gestação; promover debates sobre políticas
públicas voltadas à atenção integral ao portador de surdocegueira; apoiar os
portadores de surdocegueira, seus familiares e educadores; sensibilizar todos
os setores da sociedade para que compreendam e se solidarizem com os
surdoscegos, combatendo qualquer forma de discriminação; e informar os avanços
técnico-científicos relacionados à educação e inclusão social do portador de
surdocegueira.
A data proposta, de 12
de novembro, corresponde com o início do “I Seminário Brasileiro de Educação do
Deficiente Áudio Visual – SEDAV”, ocorrido na cidade de São Paulo de 12 a 16 de
novembro de 1977. O evento foi apoiado e promovido pela Fundação Municipal Anne
Sullivan, de São Caetano do Sul / SP, tendo sido a Fundação a primeira escola
para pessoas com surdocegueira no Brasil e na América Latina.
O projeto agora será
analisado pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania, sendo
conclusivo nas comissões, ou seja, não será apreciado pelo Plenário da Câmara.