Miss deficiente visual DF tenta título nacional com vestido emprestado

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Misses de 14 estados e do DF disputam título no Rio Grande do Norte
Rafaela Céo

   Uma funcionária terceirizada do Tribunal Regional Federal de Brasília disputa no próximo dia 23, com vestido emprestado e sandália doada, o título de Miss Deficiente Visual Brasil, que será realizado no Rio Grande do Norte. O concurso, que está em sua primeira edição, reúne candidatas de 14 estados e do Distrito Federal.
   Ciraiane Alves Aguiar tem 25 anos e mora em Samambaia, região administrativa do DF a cerca de 35 km de Brasília. Há pouco mais de um mês, a rotina dela se resumia a tarefas domésticas, cuidados com os dois filhos e o marido e ao trabalho no tribunal. Porém, Ciraiane teve a vida transformada depois de ser escolhida Miss Deficiente Distrito Federal, no dia 31 de maio. Agora, além das tarefas do dia a dia, ela se desdobra para cuidar do corpo, do cabelo e da pele e para conseguir apoio para concretizar o sonho de ser eleita no concurso nacional.
   O vestido que ela pretende usar na festa de gala do concurso foi emprestado por uma loja de Taguatinga, junto com a sandália doada por outro estabelecimento da cidade. Uma comerciante também ofereceu tratamento estético que, junto com as atividades físicas em uma academia, ajudou a miss DV Distrito Federal a sair dos 55,5 kg para 53 kg.
   A passagem aérea para a capital do Rio Grande do Norte também está garantida – foi doada por um sindicato a pedido da administração de Samambaia. Uma organização social fez uma doação de R$ 1.000, que vai ajudar a custear parte do bilhete aéreo de uma das acompanhantes de Ciraiane. A hospedagem é oferecida pela organização do evento.
   Com duas lesões nas retinas causadas por uma toxoplasmose congênita - doença transmitida por gatos e outros felinos contaminados - ganhando pouco mais de um salário mínimo e com o marido desempregado, Ciraiane diz que teve de lutar contra o preconceito para concorrer ao título.
   Ela afirma ter ido a um shopping de Taguatinga atrás de apoio e, de loja em loja, explicou sua situação e falou da chance de ser eleita miss deficiente visual Brasil. Ciraiane disse que não conseguiu ajuda e ainda esbarrou no preconceito. “Quando estava saindo de uma das lojas, quando eu já estava de costas, uma vendedora perguntou como é que uma cega poderia desfilar”, conta.
   "As pessoas ainda têm aquela imagem de que o deficiente precisa ficar dentro de casa, recebendo pelo INSS. Somos totalmente capazes de trabalhar e fazer tudo, se nos derem oportunidade. Com o concurso, me redescobri mulher, tinha assumido o papel de mãe e esquecido um pouco desse lado", conta Ciraiane.

Fonte: G1

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