Benefícios da Equoterapia - Graças à equoterapia, Dona Maria muda a vida do filho com paralisia cerebral e de muito mais gente
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Atualmente, 131 crianças e adultos passam por
tratamento, atendidas por 13 profissionais, entre fisioterapeutas, médicos e
psicólogos
Daniela Leone
Maria Cristina Guimarães Brito é daquelas
mulheres que não fogem à luta. Sua principal batalha começou após dar à luz o
seu primeiro filho. Durante o parto, Yuri teve paralisia cerebral e a doença
comprometeu seus movimentos. “Ele veio a dar dois passos e cair aos 7 anos”,
lembra Maria.
Nenhum obstáculo fez ela desistir de ver o
filho dando os próprios passos. A dedicação da família fez Yuri ser escolhido
pela Associação Baiana de Deficientes Físicos para um projeto pioneiro no
estado, em 1991: a equoterapia.
O método, que utiliza o cavalo na busca do
desenvolvimento biopsicossocial de portadores de deficiências físicas ou
necessidades especiais, mudou a vida de Yuri. O projeto experimental
desenvolvido pelo instrutor Max Lima durou só dois anos, mas conseguiu avanços
significativos.
“Ele evoluiu muito no equilíbrio e no
alinhamento postural. Quando Yuri estava montado, você não percebia a
deficiência motora que ele tinha. Passei a acreditar que ali era o caminho”,
relata Maria.
“O cavalo é o único animal que tem um
movimento tridimensional, semelhante à marcha humana. É um movimento pra cima e
pra baixo, pro lado e pro outro e pra frente e pra trás simultaneamente, como a
cintura pélvica humana”, afirma a fisioterapeuta Paula Lima. “Isso faz o
sistema nervoso de crianças e adultos com atraso de desenvolvimento motor se
desenvolver melhor”.
O projeto experimental acabou e Maria Cristina
arregaçou as mangas. Em 1993, encontrou na Polícia Militar o apoio que
precisava para fundar o Centro Baiano de Equoterapia, nas dependências do
Esquadrão de Polícia Montada.
“Começamos com Yuri e outras cinco crianças e
nosso trabalho começou a repercutir depois que o CORREIO publicou a primeira
matéria com a gente, feita por Jéferson Beltrão, em 1994. Muitas pessoas
começaram a nos procurar”.
Com o surgimento de núcleos em Vitória da Conquista e Itapetinga, foi fundada a Associação Bahiana de Equoterapia, em 1997. No início, eram apenas dois cavalos, cedidos pela PM. Hoje são sete.
Atualmente, 131 crianças e adultos passam por
tratamento, atendidas por 13 profissionais, entre fisioterapeutas, médicos e
psicólogos, que recebem ajuda de custo via convênio com a Secretaria Municipal
do Trabalho, Assistência Social e Direitos do Cidadão.
Cerca de 500 pessoas esperam por vaga, boa
parte inspirada nos resultados de Yuri. “A equoterapia mudou minha vida em
todos os sentidos. Ela me tornou independente. Faço tudo sozinho. Saio, pego
ônibus, vou trabalhar sozinho”, orgulha-se Yuri, 31 anos, publicitário e
auxiliar de escritório na Petrobras.
Conquistas viram exemplo
As conquistas de Yuri e Maria Cristina
serviram de exemplo para a dona de casa Jeane Sousa. O filho dela também teve
paralisia cerebral durante o parto.
“Quando conheci a história deles comecei a
chorar e pensei: será que o meu filho um dia vai conseguir isso também?”,
conta. Ryan tem 2 anos e começou a equoterapia este mês. “É uma esperança de
ele poder equilibrar o pescoço, de poder sentar. Já é uma glória estar aqui, tô
vencendo mais uma etapa da vida”, diz, emocionada. Já a operadora de caixa Cláudia
Barros conheceu a equoterapia há um ano e comemora os resultados. O filho dela,
Marcelo, 9 anos, tem déficit de atenção.
“O desenvolvimento dele não estava rendendo na
escola, em casa, com as pessoas. Depois de entrar pro projeto, ele melhorou
bastante”, afirma. E Marcelo ainda se diverte. “Acho legal. Antes eu nunca
tinha andado de cavalo”, diz o estudante. Maria Cristina convoca outros
interessados. “Cada família faz de seu filho o autor de sua própria história.
Quero que os pais saibam que eles não estão sozinhos. Queremos ajudá-los a
conduzir seus filhos para a vida. Com suas limitações, claro, como todos nós
temos”.
Fonte: Correio 24 horas

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