Psicóloga defende sexualidade ativa de deficientes
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Seminário de Educação Sexual abordará tema polêmico visando orientar
pais e educadores Redação Bonde com assessoria de imprensa
Nos próximos dias 25, 26 e 27 de abril a Unopar realiza o VI Seminário
de Educação Especial. Uma das atrações do evento é a psicóloga Eliane Rose
Maio, pós-doutora em Educação Escolar, que vai falar sobre a Sexualidade no
Contexto da Inclusão. Diante de um tema ainda polêmico e cercado de
preconceitos, Eliane defende que todos os deficientes têm o direito de
vivenciar a sexualidade e que pais e educadores precisam buscar ajuda
especializada e se capacitar para lidar com essa situação.
A questão do sexo ainda é um tabu para pais e educadores de deficientes?
Por que a senhora acha que isso acontece?
Existe preconceito sim. A gente percebe claramente que muitas vezes o
assunto sequer é mencionado, como se ele não existisse entre os deficientes ou
como se não fosse importante. Eu creio que pais e educadores ficam tão
preocupados com outros aspectos da deficiência, como fatores físicos e de
inclusão social, que acabam deixando a sexualidade de fora. No entanto, a
sexualidade existe em todo ser humano e minimizar essa manifestação ou
reprimi-la não vai fazer com que ela desapareça.
É possível ensinar essas crianças e jovens com deficiências a controlar
a manifestação de sua sexualidade de acordo com regras sociais? Como fazer
isso?
As pessoas com deficiência não têm libido maior nem menor do que as
outras. O que falta a elas é um senso de corte e o que nos falta é uma leitura
mais sensível do que é "normal". Para alguns deficientes perceber
limites criados pela sociedade é muito difícil mas eles podem aprender de
várias maneiras, com longas conversas ou até com ordens bem simples.
Existe maior dificuldade em fazer isso com determinadas deficiências ou
transtornos?
Exatamente. Por exemplo, no caso do autismo é mais difícil trabalhar
conceitos porque o contato deles com a realidade é muito pequeno. Não existe
tanta possibilidade de diálogo. Por isso é preciso um olhar mais compreensivo e
atitudes simples, como ordens diretas: "Não faça isso aqui".
Existem casos de namoro entre jovens com Síndrome de Down. O que a
senhora acha disso?
Acho encantador, maravilhoso, como deve ser para qualquer pessoa. A
sexualidade não pode ser suprimida da vida das pessoas deficientes. Sou a favor
de que eles possam namorar e ter relacionamentos sexuais, com esclarecimentos,
informações, educação e debate. Isso é muito importante, inclusive para
prevenir abuso sexual dessas crianças e jovens.
O abuso sexual é freqüente entre os deficientes?
Eles são mais vulneráveis. Desconhecem o próprio corpo e os limites dos
relacionamentos. É preciso que eles sejam educados na área sexual como o são em
todas as outras áreas. Educados mas não assustados. A criança educada fica
protegida. Ela sabe que pode dizer não, sabe quando e como pode ser tocada por
outra pessoa. Sabe o que traz prazer e o que causa dor.
Como pais e professores devem lidar com a sexualidade de filhos e alunos
deficientes?
Cada um deles têm seus próprios interditos. Eles precisam estudar muito
para se capacitar. Essa é a chave. Pais e mães não precisam se formar em
pedagogia mas podem procurar ajuda especializada em instituições. Existe uma
capacitação para lidar com isso, técnicas de abordagem, maneiras e formas de
conversar. Pais e educadores precisam buscar essa capacitação.
Serviço:
VI Seminário de Educação Especial – Vivendo a Inclusão:Desafios e
Perspectivas
Data: de 25 a 27 de Abril
Local: Auditório Alcides Bueno – Unopar (campus Piza)
Inscrições abertas até 23 de abril pelo site www.unopar.br
Informações: (43) 3371-7940
Fonte: Bonde

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