Para-atleta salta de paraquedas

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   Letícia Lucas, vencedora de duas medalhas de ouro no mundial de piscinas curtas no Rio de Janeiro, faz salto duplo em Araraquara, interior de São Paulo
    As muitas conquistas nas piscinas do Brasil e do mundo não evitaram que a para-atleta Letícia Lucas fosse em busca de novos desafios. Cadeirante desde 93, a atleta acostumada a lidar com a água não se intimidou pelas dificuldades e realizou o sonho de se aventurar pelos ares.
    Há oito anos, Letícia perdeu não só os movimentos das pernas, mas toda a família em um grave acidente de carro.
    - Eu e meus pais estávamos indo de Três Marias para Uberlândia e sofremos um acidente quando estávamos quase chegando, faltando uns 5 km. Nesse acidente, morreram meus pais, minha irmã e eu fiquei em uma cadeira de rodas - relembra a nadadora.
    Apesar da fatalidade, Letícia superou as adversidades, seguiu o conselho de um professor e começou a nadar. Não demorou muito para os resultados positivos aparecerem.
    - Em fevereiro de 2006 comecei a treinar e já em maio participei da minha primeira competição. Ganhei duas medalhas, senti o gostinho bom de ganhar e não quis mais parar. Fui entendendo que dava para viver do esporte se eu continuasse treinando e tendo os resultados que eu vinha conquistando.
    Foram dois ouros em 2009 no mundial de piscinas curtas no Rio de Janeiro e uma de prata no mundial da Holanda, no ano passado. As conquistas nas águas foram um incentivo para que a campeã superasse novamente suas limitações e saltasse de paraquedas.
    O salto duplo foi realizado em Araraquara, interior de São Paulo. A nadadora recebeu as orientações do instrutor Roberto Bueno, o Beto, que a acompanhou no desafio a 3100 metros de altura. Após 40 minutos, sonho realizado.
    A empreitada foi um sucesso e comoveu o instrutor, que ressaltou a força de vontade de Letícia.
    - Foi gratificante demais, bem emocionante mesmo. Foi uma vitória tanto para ela, quanto para mim. É um salto difícil e uma pessoa na situação dela ainda ter a garra que ela tem. Sem palavras.
   Para a atleta, mais do que uma aventura, a experiência representou a superação dos limites.
   - Foi tudo de bom, emocionante demais, lindo demais! Eu fique em pé, com a perna esticada, era como se eu não tivesse deficiência nenhuma - conclui.



Fonte: Globo Esporte

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