Plano do governo federal dá perspectivas de avanços na educação especial com investimento maior que 1 bilhão de reais
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Por
Priscila Sampaio / Fotos: Shutterstock
“Viver
sem Limites”, é o objetivo do governo federal para 2012. E para alcançar esse
estágio é necessário que a população com deficiência tenha acesso à educação,
que deve ser inclusiva nas escolas, sejam regulares ou especiais, mas que haja
uma inclusão real, onde o aluno possa fazer parte da turma e aprender como os
outros para poder ter as mesmas chances profissionais e uma carreira acadêmica
e, assim, poder exigir seus direitos e cumprir seus deveres.
O
Plano Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência, o “ Viver sem Limites”,
investirá R$ 1,8 bilhão, que será aplicado em ações para promover a
acessibilidade nas escolas e garantir a educação. Entre as ações estaria a
readequação de 42 mil escolas, que serão reformadas para instalar rampas,
banheiros acessíveis e a acessibilidade dentro da sala de aula. Segundo dados
do Ministério da Educação (MEC), aproximadamente, existem 29 mil colégios que
já possibilitam a frequência do estudante com deficiência. No entanto, a
inclusão não se limita à questão estrutural, mas sim a um conjunto de ações
articuladas. “Não se melhora a qualidade do ensino considerando somente a sala
de aula, seus agentes e espaços. É necessário que os pais se comprometam em
manter o filho na escola e que os professores se dediquem a educá-lo pelo poder
público”, afirma Rogério Draga, pedagogo e professor do Departamento de Teorias
do Ensino e Práticas Educacionais da Universidade Federal do Espírito Santo
(UFES).
O
investimento para a área de educação será além dos muros da escola. Dentro do
plano está a aquisição de 2.600 ônibus escolares adaptados para o transporte
dos alunos. Essa medida está dentro da Lei de Salamanca, assinada há 11 anos. A
Declaração de Salamanca, na Espanha, estabeleceu garantias de educação a todas
as pessoas com deficiência. O documento foi aprovado por unanimidade por
representantes de 88 governos e 25 organizações internacionais na Conferência Mundial
de Educação Especial das Nações Unidas, realizada em junho de 1994.
Recursos
Nas
salas de aula regulares está sendo cada vez mais comum o número de alunos com
deficiência. O censo escolar de 2010 apontou mais de 700 mil matrículas na rede
pública e privada. Houve um aumento de 10% comparado a 2009. Contudo ainda não
há uma seleção de professores especializados para assistir determinados
estudantes. “Temos cursos pela prefeitura, pelo estado, as universidades têm
oferecidos pósgraduações para o ensino especial. Mas, infelizmente, é algo
ainda muito genérico. Eu já tive um aluno cego e um outro com autismo. Me senti
desorientada de como poderia trabalhar cada um deles junto com a turma, pois
apresentavam dificuldades e habilidades distintas”, diz Neila Oliveira,
professora de Português da rede pública de São Paulo.
Perante
esse fato, o MEC desenvolveu o Programa de Implantação de Recursos
Multifuncionais. São salas que trabalham com materiais pedagógicos para
desenvolver o aluno que frequenta a sala comum. O programa, que atende
atualmente mais de 24 mil unidades de ensino pelo Brasil, foca o
desenvolvimento cognitivo, o nível de escolaridade, os recursos específicos
para o aprendizado e as atividades de complementação e suplementação
curricular. Esse é o apoio que professores, como a Neila, poderão ter para
auxiliar os estudantes. No plano anunciado pela presidente Dilma Rousseff serão
criadas mais 17 mil salas de recursos multifuncionais.
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| Plano Nacional criará, até 2014, cursos de letras-libras nos 27 estados |
Capacitação
Dentro
do valor de R$ 1,8 bilhão, o MEC terá o compromisso de implantar ações para a
capacitação de professores. Para Ana Lúcia Scagnolato, coordenadora de projetos
sociais na ArcelorMittal Piracicaba, é muito importante o governo fomentar
centros de estudos para a educação especial. “É desafiador trabalhar a inclusão
escolar, por isso, fazer com que os profissionais estudem juntos proporcionará,
além do conhecimento técnico, a troca de experiência, que será válida tanto
quanto a absorção dos conceitos teóricos da inclusão”, analisa.
Para
atender a comunidade surda do Brasil, que hoje está representando quase 10
milhões, como revelou o censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE), o Plano Nacional criará, até 2014, cursos de letras-libras
nos 27 estados e serão instalados em núcleos de acessibilidade nas instituições
federais de ensino superior.
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| Salas multirrecursos: investimento para desenvolver o aluno com deficiência que frequenta a sala comum |
A
promessa do governo
No
dia do lançamento do Plano, Dilma Rousseff anunciou que deverão ser atendidos
mais de 45 milhões de brasileiros com deficiência independentemente de idade,
classe social ou gênero. A presidente ressaltou que o Viver sem Limites irá
garantir o direito de cada pessoa e dar ferramentas para melhorar a qualidade
de vida, ampliar suas oportunidades de crescer, produzir e garantir autonomia.
Serviço
ArcelorMittal
Piracicaba
A
fundação possui o projeto Educar na Diversidade. O objetivo é mobilizar
educadores para que promovam a transformação nas práticas pedagógicas de
escolas comuns e especiais, de forma a alcançar o sucesso da inclusão escolar
de alunos com deficiência.
Ministério
da Educação (MEC) www.mec.gov.br
Secretaria
de Assistência Social da Prefeitura de Governador Valadares (MG) (31) 3279-7400
www.valadares.mg.gov.br
Universidade
Federal do Espírito Santo www.ufes.br
Fonte: Revista Sentido



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