Retrospectiva: Um natal mais inclusivo

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Por Mara Gabrili, deputada federal

   Adoro Natal. A festa, as manifestações de carinho, o clima acolhedor, os corações aquecidos. A data também lembra presentes. E por presente entendo tudo que doamos com amor (pode ser um pouco de nós mesmos) para o bem de alguém. Pensando nisso, acabei por lembrar de vários presentes extraordinários que recebi na vida.
   Em 2007, a Associação Brasileira de Assistência ao Deficiente Visual (Laramara) criou um espaço e batizou de Mara Gabrilli. No local, foi criado um Centro de TecnologiaAdaptada (CTA), cuja ideia é desenvolver brinquedos e outros recursos para crianças com deficiência visual e múltipla, utilizando para isso materiais de baixo custo como papelão, plástico, EVA, isopor e PVC.
   Com matéria-prima barata e reciclável, o CTA consegue fazer a alegria de muitas crianças, contribuindo também para o desenvolvimento sustentável. Importante dizer que, hoje, o mercado oferece várias opções de produtos para reabilitação, incluindo brinquedos adaptados. No entanto, o custo ainda é muito alto para a maioria da população. Isso significa que muitas crianças ficam à margem de um universo de descobertas.
  Muito do que sou hoje é fruto de uma infância com qualidade, saudável e feliz. Com deficiência ou não, toda criança tem o direito de ser o que dela se espera: ser criança. A qualidade de vida nesta fase é determinante para o nosso desenvolvimento pessoal quando adultos.
  No caso de crianças com deficiência visual, os brinquedos adaptados têm o papel fundamental de mostrá-las um universo que não podem enxergar. Por isso é tão importante a fabricação de objetos lúdicos que despertam os sentidos táteis dos pequenos.
   É uma maneira de incluí-los a um mundo no qual, muitas vezes, eles estão isolados.
  Já para as crianças com deficiência intelectual, os jogos adaptados também são muito importantes para externar ideias, sentimentos e desejos que não podem ser expressos por meio de palavras. Isso ocorre muito com crianças com distúrbios de comunicação como o autismo.
   Quando comecei a estagiar em escola especializada na educação de alunos com deficiência, me encantei com as diferentes maneiras que cada criança podia desenvolver suas habilidades e potenciais. Independente de qual fosse a deficiência, cada um ali podia ser explorado por sua coordenação motora, raciocínio e criatividade. Bastava que para isso encontrássemos a maneira certa de instigar cada uma daquelas cabecinhas cheias de ideias e desejos.
  Além de estimular percepções, é importante incentivar o convívio em grupo com brincadeiras em que os limites físicos das crianças com deficiência são explorados. Que tal uma rodinha de pega-pega ou um jogo de pique- esconde? Crianças cadeirantes também podem (e devem) fazer parte deste universo. Afinal, brincar faz bem para saúde e para alma. Movimento é vida! Brincar é a interação de ideias, saberes e sabores diferentes, em nome de um só objetivo: diversão!
   O Portalde ajudas técnicas do MEC fornece dicas de jogos e recursos educativos que podem ser feitos pelos pais e pela escola. E você pode criar alternativas para que tudo possa ser produzido em casa.
   Quando se brinca, trocam-se experiências e aprendizados. Neste Natal que passou, pensei muito em como incluir a criança com deficiência no universo que é dela por direito, o infantil.

Foi este meu pedido para o Papai Noel.

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